Publicado no site Persona Cinema em 19/03/2020

Em determinado momento de Stoner, o magnífico romance de John Williams, o protagonista se vê pressionado a se alistar voluntariamente no exército norte-americano, quando seu país se engaja na 1ª Guerra Mundial, embora ele duvide do sentido do conflito. Ao se aconselhar com seu experiente ex-professor Sloane, ouve o seguinte:
“Você precisa lembrar o que você é, o que escolheu ser e o significado do que está fazendo. Há guerras e derrotas e vitórias da raça humana que não são militares e não são registradas nos anais da história. Lembre-se disso quando estiver tentando decidir o que fazer.” [1]
Ninguém oferece um tão sábio e corajoso conselho a Franz Jägerstätter (August Diehl), o camponês austríaco cuja história inspirou o novo filme de Terrence Malick, Uma Vida Oculta (“A Hidden Life”, 2019). Solitário em sua decisão, ao ser convocado Franz negou-se a prestar o juramento de lealdade a Hitler, sendo preso e executado, além de ter provocado a hostilidade de praticamente toda a vila de St. Radegund (ou Santa Radegunda) contra si e sua família.
Se não há um aconselhamento tão lúcido a Franz, há a sua heroica liberdade interior, a integridade da sua consciência e a intimidade com uma voz silenciosa que consola e sustenta desde o seu interior. Há, sobretudo, a força do amor de sua esposa, Fani (Valerie Pachner), de modo que o contexto histórico serve como moldura para retratar uma das mais fortes histórias de amor.
A maior força do mundo
Como bem definiu o Leandro no seu ensaio sobre o longa anterior do diretor (De Canção em Canção), “de filme em filme, ele está construindo o seu próprio cântico dos cânticos, sua própria imagem da eternidade”. Uma Vida Oculta explora o deslumbrante cenário natural dos Alpes e o horrendo contexto nazista para retomar o motivo da aliança sagrada engendrada sob a maior força do mundo: a união entre o homem e a mulher.



É verdade que grande parte do filme se dá no espaço do confinamento, do monólogo interior e do dever moral e religioso, em circunstâncias que colocam o primado da consciência de Franz em paralelo com a de outros personagens (curiosamente, todos eles inspirados em homens reais) do cinema recente, como dos filmes Silêncio (2016) e Até o último homem (2016), ou do clássico O homem que não vendeu sua alma (1966)(imagens abaixo). Mas o essencial em Uma Vida Oculta está expresso no Cântico dos Cânticos bíblico: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte” (Ct 8, 6).
A ênfase das imagens das mãos entrelaçadas de Fani e Franz ao longo do filme, com o brilho das alianças junto às unhas escurecidas pela terra, são um poderoso convite à perplexidade da questão: e se acreditássemos realmente que o amor é tão forte quanto a morte? E se vivêssemos verdadeiramente de acordo com essa fé? É nesse ponto que o filme transcende o drama da guerra e dos conflitos morais para se tornar uma das mais belas histórias de amor. O martírio de Franz nas prisões alemãs, longe da sua amada, revela a insuperável força do selo do amor — como vemos também no célebre relato de outro prisioneiro de guerra austríaco, Viktor Frankl, neste caso durante os trabalhos forçados em um campo de concentração:
“Enquanto avançamos aos tropeços, quilômetros a fio, vadeando pela neve ou resvalando no gelo, constantemente nos apoiamos um no outro, erguendo-nos e arrastando-nos mutuamente. Nenhum de nós pronuncia uma palavra mais, mas sabemos neste momento que cada um só pensa em sua mulher. Vez por outra olho para o céu onde vão empalidecendo as estrelas, ou para aquela região no horizonte em que assoma a alvorada por trás de um lúgubre grupo de nuvens. Mas agora meu espírito está tomado daquela figura à qual ele se agarra com uma fantasia incrivelmente viva, que eu jamais conhecera antes na vida normal. Converso com minha esposa. Ouço-a responder, vejo-a sorrindo, vejo seu olhar como que a exigir e a animar ao mesmo tempo; e — tanto faz se é real ou não a sua presença — seu olhar agora brilha com mais intensidade que o sol que está nascendo. Um pensamento me sacode. É a primeira vez na vida que experimento a verdade daquilo que tantos pensadores ressaltaram como a quintessência da sabedoria, por tantos poetas cantada: a verdade de que o amor é, de certa forma, o bem último e supremo que pode ser alcançado pela existência humana.” [2]
Insisto no relato do Dr. Frankl, pois a sua experiência de contemplação da imagem espiritual da mulher amada é muito significativa no sentido de expressar a essência do filme de Malick:
“Compreendo agora o sentido das coisas últimas e extremas que podem ser expressas em pensamento, poesia — e em fé humana: a redenção pelo amor e no amor! Passo a compreender que a pessoa, mesmo que nada mais lhe reste neste mundo, pode tornar-se bem-aventurada — ainda que somente por alguns momentos — entregando-se interiormente à imagem da pessoa amada. Na pior situação exterior que se possa imaginar, numa situação em que a pessoa não pode realizar-se através de alguma conquista, numa situação em que sua conquista pode consistir unicamente num sofrimento reto, num sofrimento de cabeça erguida, nesta situação a pessoa pode realizar-se na contemplação amorosa da imagem espiritual que ela porta dentro de si da pessoa amada. Pela primeira vez na vida entendo o que quer dizer: os anjos são bem-aventurados na perpétua contemplação, em amor, de uma glória infinita…” [3]



Assim como ocorre com outros personagens do cinema presos por situações semelhantes, Franz também se depara com a acusação de estar agindo por orgulho, pois bastaria um simples gesto ou declaração para reverter a situação. Fani, no entanto, jamais sugere tal motivação, nem tenta demover a consciência de Franz, evidenciando que, diferente dos demais, “Uma Vida Oculta” é essencialmente uma história de amor.A foice amolada
A maior parte da obra de Malick, sobretudo a mais recente, é marcada por personagens existencialmente à deriva, de certa forma imaturos, em pleno processo de “descoberta da alma” (para usar as palavras do Leandro no texto a respeito do Song to song). Em Uma Vida Oculta, temos um casal maduro, com três filhos (o que o aproxima de A Árvore da Vida) e uma relação conjugal plenamente estabelecida, embora a grande provação ainda esteja pela frente. Essa condição, somada ao contexto histórico da 2ª Guerra Mundial, proporciona ao filme maior lastro narrativo, ancorando-o na realidade concreta de modo a deixá-lo menos volátil, abstrato e errante — nem por isso menos sutil: nunca o desafio de tornar visível o invisível foi tão grande. A alma foi descoberta, o sentido está colocado, mas o homem é chamado a viver de acordo com isso que lhe dá sentido e uma alma, a viver de acordo com a dignidade, a consciência, a verdade, a bondade. Mais do que isso: a viver a realidade inefável daquele amor que é tão forte como a morte.
Além de lançar mão da arte e da simbologia cristãs, que formam o ambiente cultural e religioso daquela comunidade, Malick combina elementos visuais e sonoros que contribuem para a densidade narrativa. Um exemplo está já nas primeiras cenas do filme (após as imagens de arquivo do nazismo), que mostram foices sendo utilizadas e amoladas pelo casal, sugerindo a presença agourenta da morte naquele ambiente bucólico. Mais adiante, Fani levanta os olhos para o céu — gesto que já vimos em tantos personagens dos filmes do diretor —, mas em vez do vácuo existencial ou da busca pelo divino há o zumbido sinistro dos aviões de guerra que cruzam os céus.
Saem de cena o vazio existencial e os personagens à deriva diante de um mundo de vacuidade, tédio, materialismo, hedonismo, confusão emocional; em Uma Vida Oculta os personagens são marcantemente atrelados à terra, ao trabalho, aos ciclos da natureza, ao cotidiano, às pequenas tarefas, à família (caracterizações que se aproximam mais dos primeiros longas do diretor). Mas tudo fica ameaçado diante do triunfo político e social do nazismo (nenhuma cena é tão terrível quanto a dos vizinhos que passam a fazer a saudação nazista ao cumprimentar), que, em última análise, não deixa de ser uma consequência da ideologia como pseudo-redenção do vazio existencial moderno, num processo nefasto que vai expondo o vazio espiritual de cada homem e a sua busca por um sentido — e aqui, portanto, retornam os elementos recorrentes da obra de Malick, mas já deslocados para outra instância, que não repercute tão diretamente na narrativa.
Pois a questão que se coloca a partir daí é: se o vazio existencial é um elemento real da condição humana — e já não depende tanto da forma do filme incorporar esse aspecto, como ocorre sobretudo na “trilogia” formada por Amor Pleno, Cavaleiro de Copas e De Canção em Canção — e se as pessoas, as famílias e a comunidade podem viver bem atrelando-se aos sentidos concretos da vida cotidiana, como vemos no início de Uma Vida Oculta, então o que fazer quando o vazio assume proporções cósmicas, imbuído do poder político e da força modeladora de toda uma sociedade, através da ideologia da morte? A resposta de Malick vem do Cântico dos Cânticos: o amor é forte como a morte.





Imagens de ferramentas de trabalho, transformações da paisagem natural e ícones cristãos simbolizam a jornada espiritual e o combate interior do protagonista. Já os planos que parecem vazios ou deslocados (como os três últimos acima) têm como foco de interesse a incidência da luz solar, a projeção das sombras e a movimentação de reflexos, evidenciando a presença de uma vida aparentemente oculta.A pátria interior
O padre local e o bispo que aconselham Franz não têm nenhuma palavra a dar sobre Deus, somente sobre os homens, sobre a pátria, sobre a família e a comunidade. Mas a verdadeira pátria é outra, para nosso herói. E quem tem algo a dizer sobre essa outra pátria, sobre a vida do Espírito, é o artista local, o pintor das imagens sacras.
Quase todos os discursos, sejam de amigos ou inimigos, tentam convencer Franz de que a sua atitude não vai mudar o curso dos acontecimentos — aspecto simbolizado nas recorrentes imagens do fluxo das águas do rio. Em nosso diálogo interior com Franz e Fani, sabemos, entretanto, que não se trata de mudar o mundo a qualquer preço; o mundo é decaído, corrupto e injusto, mas também é sagrado, belo, bom. Trata-se, antes, de fazer do discernimento e da consciência um dom, e de ser digno desse dom.
Por diversas vezes Franz ouve que seu sacrifício não vai beneficiar ninguém. E é justamente isso o que os apavora, os desconcerta: que alguém acredite no sacrifício gratuito, de graça. Eles querem dizer que do grãozinho de mostarda não pode se criar uma árvore que vá abrigar as aves do céu. Não acreditam na força da vida oculta, como não acreditam no silêncio que fecunda a liberdade interior. Não querem acreditar, mas o incômodo intolerável que Franz representa trai a dificuldade geral de lidar com a incerteza da condição humana, com o fato de que somente a fé sustenta a realidade das coisas que não se vêem.
“Quando desistimos da ideia de viver a qualquer custo, uma nova luz nos inunda”, Franz conclui após meses de prisão, descobrindo que tudo é graça — que é livre mesmo preso, que tem amigos mesmo entre os últimos, que o amor da esposa se faz presente mesmo à distância.




Filmando a ausência, mostrar a presença
A nova luz que inunda Franz estava presente desde o início, em todos os momentos, embora tenha se tornado perceptível apenas diante de uma situação limite — é o que nos revela o cinema de Malick. Num trecho de um trabalho acadêmico do então estudante de filosofia, já se antecipava a importância essencial da luz natural na sua futura obra cinematográfica, bem como a sugestão de uma metáfora recorrente na sua espiritualidade (sol/graça divina):
“Heidegger desenvolveu toda uma mitologia sobre o modelo da luz. As correlações são claras: sol/mundo, luz/horizonte, sombra/erro, terra/coisas. A lógica do modelo funciona da seguinte maneira: vemos o que vemos em virtude da luz do sol. Não prestamos atenção à luz, mas através dela, às coisas da terra. De fato, não poderíamos observar a luz porque não poderíamos ver a própria luz, mas apenas as coisas iluminadas. Como tomamos a luz como certa, só tomamos consciência de sua (precedente) presença quando ela está ausente. Heidegger apenas reformulou o que estava dizendo o tempo todo.” [4]
Passe a atroz ironia de termos chegado em Heidegger justo no contexto nazista deste filme. O que importa aqui é que, parafraseando o trabalho acadêmico, Malick reformula o que estava dizendo o tempo todo, ou seja: em geral, só tomamos consciência da graça quando ela está ausente. A obsessão do diretor com o uso da luz natural nos seus filmes reflete exatamente essa percepção de que a graça está presente o tempo inteiro; quem tem olhos para ver, que veja.
Logo após a convocação e prisão de Franz , o foco narrativo transfere-se para Fani, agora sozinha diante das três crianças e do trabalho pesado na terra, imersa na sua angústia de como se posicionar diante da atitude do esposo, pois da sua decisão depende a grande questão suscitada pelo filme: o amor pode ser forte como a morte?
Embora o amor — seja o erótico, o conjugal, o ágape — tenha sido matéria de praticamente todos os filmes do diretor, Uma Vida Oculta aborda o tema sob distinta perspectiva. Nos longas anteriores, ou não havia uma relação conjugal plenamente estabelecida, ou o foco recaía sobre a crise da relação. Agora, vemos a crise exclusivamente como um fator externo que entra em conflito com a fortaleza do amor de Franz e Fani. O que Malick alcança, dessa maneira, é mostrar o amor como uma presença real e constante, do mesmo modo como a luz e a graça, sem destituí-lo do seu profundo e insondável mistério e do espanto sempre novo que provoca.
Nesse processo de mostrar o invisível, a maior proeza cinematográfica de Malick é colocar em relação o que é próprio da solidão do indivíduo com o que é próprio da vida a dois, do casal, da união que se faz uma só carne e que ninguém separa — do deserto interior da solidão ao encontro com a encarnação do amor e da graça, que se mostra possível porque tanto Franz como Fani encontram o Outro. Para isso concorrem os frequentes planos que colocam o aparente vazio ou a suposta ausência no centro da imagem, ou mesmo que têm a mera luz natural como seu principal elemento visual; após o desaparecimento de Franz, temos olhos para ver que aqueles planos estavam, na verdade, preenchidos com a presença do Outro. Os planos que pareciam vazios continham uma presença. Essa percepção que se opera na tela é a tradução cinematográfica do fruto do sacrifício de Franz e de Fani, que o mundo dizia ser em vão.


A ausência de Franz é sentida através de planos de pungente solidão. Entretanto, a fortaleza do amor do casal abre nossos olhos para ver que a vida oculta está presente, ressignificando todo os planos que até então pareciam vazios ou solitários, dotando-os de vislumbres da eternidade.Quem tem ouvidos, ouça
Em sua obra recente, Malick não vinha utilizando a trilha sonora original com tanta frequência quanto em Uma Vida Oculta. Magníficas composições clássicas, especialmente de inspiração religiosa, continuam presentes, conquanto haja espaço também para o excelente trabalho de James Newton Howard. Um alegre leitmotiv ao violino, que ecoa o cotidiano domiciliar do casal, sofre variações melancólicas na viola ou no violoncelo, com graves que expressam o duro destino da vida de Franz e Fani.
É sublime o uso que o diretor faz daquela que possivelmente seja a mais mística das composições cristãs, A Paixão segundo Mateus, de J.S. Bach, cuja abertura passa a ser ouvida a partir do momento em que Franz se prepara para sua partida rumo ao local onde será preso, continua sendo executada durante seu trajeto até a estação de trem, acompanhado de sua esposa, sendo interrompida exatamente no instante em que ele e Fani, que corre junto à janela do vagão, largam as mãos. A Paixão de Mateus submerge no ruído estrondoso do trem, dando início à Paixão de Franz rumo ao seu sacrifício.
As mãos do casal haverão de se reencontrar na cena do clímax do filme — em que outros personagens falam, mas tudo o que importa está dito no olhar e nas mãos entrelaçadas de Franz e Fani, bem como na primorosa trilha sonora, agora o Agnus Dei, de Wojciech Kilar, que continua até ser abafado pelo ruído estrondoso do trem em que Fani regressa à sua terra. Completa-se, assim, uma cena tão plangente quanto gloriosa, tão desalentadora quanto bem-aventurada, em que o amor tão forte quanto a morte é plasmado na tela como um milagre — a imagem da eternidade.
Túmulos não visitados
Os enigmas suscitados pelo caráter reservado e pela carreira irregular de Terrence Malick — a sua particular vida oculta — ganharam um ingrediente a mais a partir da “trilogia” de filmes anteriores, que ofereciam elementos autobiográficos para a interpretação de sua estética e de sua obra. Em Uma Vida Oculta, os aspectos autobiográficos dão espaço para uma história verídica (adaptada a partir da biografia de Franz Jägerstätter e das cartas trocadas com Fani), mas o cinema autoral de Malick nunca esteve tão pujante. Se o título do filme já parece fazer referência ao próprio cineasta, isso fica ainda mais evidente quando nos deparamos com entrevistas como a da atriz Valerie Pachner, que define o diretor como “muito respeitoso, muito humilde e gentil e também radical. Radical na maneira como ele segue seus pensamentos e seu jeito de ver as coisas o tempo todo”. Poderia ser uma frase de Fani sobre Franz. O cineasta encontrou um personagem histórico que encarna suas ânsias, seus desejos, sua fé, sua radicalidade.
Encontrou-o a partir daquilo que está expresso no romance Stoner, que abriu este ensaio, sobre um professor que troca a guerra pelo amor aos livros e morre completamente esquecido — muito semelhante ao que lemos na abertura dos créditos finais do filme, retirado do romance Middlemarch (1872), da britânica George Eliot:
“A bondade crescente no mundo depende em parte de atos não históricos; e, se as coisas não estão tão ruins para você e para mim como deveriam estar, é em boa parte devido àqueles que viveram fielmente uma vida oculta, e descansam em túmulos não visitados.”
Desprezado por boa parte da crítica e do público, pode ser que o cinema de Malick venha a cair no esquecimento. Mas nunca nos serão tiradas as horas que passamos com Fani e Franz, inundados por uma nova luz, sobre as montanhas, quase entre as nuvens — assim como nunca será tirado de Franz e de Fani o que os uniu na eternidade.

Notas:
[1] Stoner, John Williams, trad. Marcos Maffei, ed. Rádio Londres, 2015, pág. 44 ▲
[2] Em busca de sentido, Viktor Frankl, trad. Walter Schlupp e Carlos Aveline, ed. Sinodal/Vozes, 43ª ed., 2018, pág. 54–55 ▲
[3]Frankl, ibid. ▲
[4] The Concept of Horizon in Husserl and Heidegger, monografia de graduação de Terrence Malick, Harvard, 1966, conforme Paul Maher Jr. ▲
Descubra mais sobre nos fundos da tabacaria
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.