Publicado na Revista Unamuno em 09/11/2024

Publicada originalmente em 1952, a ficção Caderno Proibido (“Quaderno Proibito”, trad. Joana Angélica d’Avila Melo, ed. Companhia das Letras, 2022) permanece como um reconhecido triunfo de Alba de Céspedes (Itália, 1911-1997) quanto à expressão da condição social e existencial feminina, especialmente no que se refere às inúmeras concessões silenciosas que perfazem o cotidiano de mãe e esposa, bem como na pungente impossibilidade de ver reconhecida a sua vida interior mesmo pelos que lhe são mais próximos e íntimos.
Narrado em forma de diário por Valeria Cossati, 43 anos de idade, cobre um período de cerca de seis meses entre o final de 1950 e o início de 1951, em Roma, num contexto de estagnação econômica diante da incerteza quanto à possibilidade de nova guerra, porém de acelerada dinamização das relações sociais, dos hábitos culturais e dos conflitos geracionais, evidenciados sobretudo na conduta dos dois filhos que iniciam a vida adulta. Dividindo-se entre o trabalho no escritório e a dedicação ao lar, Valeria se mostra bastante realista e modesta, não alimentando grandes expectativas típicas das heroínas dos romances clássicos.
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