Publicado na Unamuno em 20/05/2023

“Pareceu-me prazeroso, e tanto mais agradável quanto mais difícil era a tarefa, extrair do Mal a beleza” (grifo do poeta), rascunhou Baudelaire num projeto de prefácio às Flores do Mal. “Alguns me disseram que estas poesias podiam fazer mal. Não fiquei satisfeito com isso. Outros, boas almas, que elas podiam fazer bem; e isso não me afligiu. O temor de uns e a esperança de outros espantaram-me igualmente e só serviram para me provar uma vez mais que este século desaprendeu todas as noções clássicas relativas à literatura.” [1]
Na ironia mordaz do poeta contra as tentativas de justificar – para o bem ou para o mal – o prazer gratuito do senso estético, assim como na demonstração de que também na aparente feiura pode ocultar-se e revelar-se a beleza, o espírito moderno reconheceu a expressão de certas inclinações subterrâneas que, embora constituíssem desde sempre parte do coração humano, ainda não haviam recebido tão ampla e apropriada verve poética.
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