“L’étranger”, publicado originalmente em 1942. Trad. Valerie Rumjanek, ed. Record, ano da edição não identificado. Lido em 2009, relido em 2025.

“- Se andarmos devagar – disse ela – arriscamo-nos a uma insolação. Mas se andarmos depressa demais, transpiramos, e, na igreja, apanhamos um resfriado.
“Tinha razão. Não havia saída.” (pág. 22)
1) A fala da enfermeira, que será relembrada pelo protagonista muito depois, num momento existencial crítico, talvez seja a chave do coração do livro, ao dar uma expressão concreta às aporias da existência. Por mais que se busque alguma forma de equilíbrio, este desejo é sempre precário diante da força implacável dos contrastes.
Como bem observou Vargas Llosa no seu comentário sobre o livro (em A verdade das mentiras), O Estrangeiro é ambíguo e se presta a diferentes perspectivas acerca do caráter do seu herói, cabendo a cada leitor construir o seu próprio julgamento; em última análise, desafiando-nos com o dilema: o que é menos pior? Andar devagar ou depressa? A insolação ou o resfriado? Adaptar-se à ficção da sociedade ou manter-se fiel ao seu próprio personagem íntimo? E assim por diante.
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